Próstata aumentada depois dos 50: o que muda com o Rezum e a enucleação a laser

Descubra por que a próstata aumenta depois dos 50 e o que muda entre dois tratamentos minimamente invasivos: o Rezum, com vapor de água, e a enucleação a laser (HoLEP). Entenda os sinais, quando cada opção é indicada e como definir o melhor caminho para o seu caso.

Se depois dos 50 anos você começou a levantar mais vezes à noite para urinar, sente que o jato ficou mais fraco ou tem a impressão de que a bexiga nunca esvazia por completo, existe uma explicação bastante comum para isso: a hiperplasia benigna da próstata, ou simplesmente próstata aumentada.

O nome pode assustar, mas vale desmistificar de imediato: hiperplasia benigna não é câncer. É um crescimento natural da glândula, que acontece com o avanço da idade. E, quando incomoda a rotina, tem tratamento.

Por que a próstata aumenta depois dos 50?

A próstata é uma glândula pequena, mas envolve a uretra, o canal por onde a urina passa. Ao longo da vida, esse tecido continua crescendo, influenciado por mudanças hormonais relacionadas à testosterona. Esse crescimento se torna muito mais frequente a partir dos 50 anos, e à medida que a glândula aumenta, ela pode comprimir gradualmente a uretra, dificultando a passagem da urina.

Os sinais costumam aparecer de forma gradual:

  • Jato urinário mais fraco ou demorado para começar
  • Necessidade de urinar com mais frequência, principalmente à noite
  • Urgência para ir ao banheiro
  • Sensação de que a bexiga não esvaziou completamente
  • Gotejamento ao final da micção

Nem todo homem com esses sinais precisa de cirurgia. O primeiro passo é sempre a avaliação: exame físico, histórico de sintomas e, quando indicado, exames complementares para entender o tamanho da próstata e o impacto real no dia a dia.

Quando o tratamento com medicação não é suficiente

Na maioria dos casos, o primeiro tratamento é medicamentoso, com remédios que relaxam a musculatura da próstata ou que atuam reduzindo o volume da glândula ao longo do tempo. Para muitos homens, isso já é suficiente para controlar os sintomas.

Quando os sintomas persistem, os efeitos colaterais da medicação incomodam, ou o quadro evolui (com retenção urinária, infecções recorrentes ou sangramentos, por exemplo), entram em cena os procedimentos minimamente invasivos. É aqui que Rezum e enucleação a laser (HoLEP) aparecem como opções.

Rezum: alívio dos sintomas com vapor de água

O Rezum é um procedimento que usa vapor de água para reduzir o excesso de tecido prostático. Por um instrumento fino inserido pela uretra, o vapor é aplicado diretamente na região aumentada da próstata, provocando a morte das células em excesso, que passam a ser naturalmente reabsorvidas pelo corpo nas semanas seguintes.

O que costuma chamar atenção nesse procedimento:

  • É rápido: dura minutos, sob sedação leve, sem cortes
  • A alta acontece em poucas horas, no mesmo dia
  • Estudos de acompanhamento de cinco anos mostram melhora sustentada dos sintomas urinários, com redução média de cerca de 30% no volume da próstata em seis meses
  • Baixo risco de sangramento e baixo risco de ejaculação retrógrada, ou seja, tende a preservar a função sexual

O Rezum costuma ser indicado para próstatas de tamanho pequeno a moderado, em homens que não responderam bem à medicação, mas que também não têm uma próstata tão volumosa a ponto de precisar de uma remoção mais ampla de tecido.

Enucleação a laser (HoLEP): remoção completa e resultado duradouro

Já a enucleação a laser da próstata, o HoLEP, é indicada quando o objetivo é remover, de forma mais definitiva, o tecido que está obstruindo a passagem da urina. É especialmente relevante para próstatas muito aumentadas, incluindo aquelas que outros métodos minimamente invasivos não conseguem tratar bem.

Como funciona: um instrumento endoscópico é introduzido pela uretra e o laser é usado para descolar e remover o tecido em excesso, com controle preciso do sangramento. O tecido removido é fragmentado e enviado para análise.

Alguns pontos importantes sobre esse procedimento:

  • Pode tratar próstatas de qualquer tamanho, inclusive as muito volumosas
  • A internação costuma durar entre 24 e 48 horas, com remoção da sonda geralmente no dia seguinte
  • A retomada de atividades do dia a dia costuma acontecer entre uma e duas semanas, com recuperação completa em cerca de quatro a seis semanas
  • A taxa de necessidade de uma nova cirurgia é baixa: estudos apontam menos de 2% em dez anos
  • É esperado que ocorra ejaculação retrógrada após o procedimento (o sêmen passa a seguir para a bexiga), o que é diferente da disfunção erétil e não impede a vida sexual
  • Quando realizada por cirurgião experiente, a incontinência urinária permanente é rara, ocorrendo em menos de 1% dos casos

Rezum ou enucleação a laser: como essa escolha é feita

Não existe uma técnica universalmente superior; a escolha do tratamento deve ser individualizada, considerando as particularidades clínicas de cada paciente. Existe a opção mais adequada para cada caso, definida a partir do tamanho da próstata, da intensidade dos sintomas, do histórico de saúde e dos objetivos de cada paciente.

De forma simplificada, a indicação terapêutica deve ser alinhada ao perfil clínico específico de cada paciente:

O Rezum tende a ser mais indicado quando: a próstata é pequena a moderada, os sintomas ainda são leves a moderados, e a preservação da ejaculação é uma prioridade importante para o paciente. É um procedimento ambulatorial, feito em minutos, com recuperação rápida, em poucos dias.

A enucleação a laser (HoLEP) tende a ser mais indicada quando: a próstata é muito aumentada, os sintomas já são intensos ou há complicações associadas (retenção urinária, infecções recorrentes, sangramentos), e o objetivo é uma solução mais definitiva, com baixa chance de precisar de nova intervenção no futuro. É uma cirurgia endoscópica, com internação breve e recuperação de algumas semanas. Nesse caso, a ejaculação retrógrada é esperada como parte do processo.

Essa comparação serve para você entender as diferenças, não para decidir por conta própria qual procedimento é o certo. Essa decisão depende de uma avaliação individual, com exame de imagem, histórico clínico e uma conversa franca sobre expectativas e rotina.

O que fica de lição

Ter a próstata aumentada é algo muito comum após os 50 anos. A boa notícia é que hoje temos ótimas opções de tratamento, desde remédios até procedimentos pouco invasivos, que ajustamos conforme cada paciente. Não existe uma receita única: o caminho ideal depende de como o problema afeta sua rotina e da avaliação do seu caso. Por isso, o passo mais importante é conversarmos na consulta para definir a melhor estratégia para você.

Notou esses sinais ou já sabe que tem próstata aumentada e quer entender suas opções de tratamento? Agende uma consulta para uma avaliação individualizada.

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Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui consulta médica. A indicação de tratamento, seja clínico, Rezum, enucleação a laser ou outra abordagem, é sempre individualizada.